Belo Horizonte – MG

COMUNIDADE DE BELO HORIZONTE A HISTÓRIA SE FAZ CAMINHANDO.

O início desta comunidade deu-se a convite e desejo dos padres jesuítas por conhecerem a dedicação e o empenho das Irmãs no cuidado com os idosos em outra casa de saúde em São Leopoldo/RS.

Como todo sonho é possível acontecer, o Provincial jesuíta da Província do Centro Oeste solicitou a Pró-Provincial, Irmã Elisabete Cavalli, a possibilidade de abrir uma comunidade nesta cidade, contemplando uma grande necessidade. A solicitação teria como finalidade a coordenação da parte de enfermagem, bem como o acompanhamento e o cuidado dos hóspedes da Casa de Saúde Luciano Brandão, quando necessário.

O objetivo da Casa de Saúde Luciano Brandão era e é acolher os padres e irmãos jesuítas idosos e outros que necessitam realizar exames especiais e consultas freqüentes ou passar períodos longos de recuperação da saúde.

A proposta foi levada ao Conselho Provincial para análise. Vendo que também vinha ao encontro de uma necessidade da Província de Irmãs estudarem filosofia e teologia, foi levada em consideração. Após um longo período de oração e discernimento, colocadas no coração da Trindade as Irmãs que poderiam compor a nova comunidade e responder à missão, foi confirmada a decisão e a proposta de abrir uma comunidade.

Prosseguiu-se com vários contatos, fixou-se a data do início da nova missão, na confiança da presença de Maria Domingas e sob as bênçãos da Santíssima Trindade.

No dia 17/02/1998, a Pró-Provincial, Ir. Elisabete Cavalli, e Irmãs Lúcia Walker, Miriam Terezinha Beuren e Marli Jahn que comporiam a nova comunidade, partiram de Porto Alegre rumo a Belo Horizonte, levando o essencial para iniciar uma comunidade.

A viagem transcorreu cheia de aventuras e desafios, como, por exemplo: troca de ônibus, um sobe-e-desce… Chegando à rodoviária de Belo Horizonte às 14h45min do dia 18/02, alegria e emoção se misturavam. O Pe. Paulo Pedreira e o Ir. Manoel Moreira, jesuítas, as esperavam com ansiedade. Que bom que chegaram! Abrindo os braços, o Pe. Paulo as saudou e acolheu! Agora temos a quem confiar os nossos irmãos doentes. Vibração! Tudo novo! Belo Horizonte as acolhe calorosamente. Retiraram as malas e o que traziam e prosseguiram a peregrinação. O Pe. Paulo as conduziu até o Carmelo de Santa Teresa, onde tinham reservado um espaço para a hospedagem: dois quartos, uma pequena cozinha, uma área como sala, isto para alguns dias até encontrarem uma casa para morar. As Irmãs as acolheram muito bem e desejaram as boas-vindas. Deus seja louvado! Acomodaram-se, refizeram as energias com um bom banho; o local era simples, assim como a Mãe Fundadora deu início a sua primeira obra. Agradeceram juntas a Deus por ter chegado e pela boa viagem realizada.

O sol se esconde, é hora do repouso e de mais uma vez confiar a Deus o dia seguinte, na certeza de que o sol ressurgirá no horizonte. No dia seguinte, Ir. Elisabete e a Ir. Lucia foram ao centro para se encontrarem com Mons. Eder Amléia, vigário geral da Diocese, a fim de conseguirem autorização para abertura da comunidade, além de uma licença para terem o Santíssimo na capelinha da casa. Elas obtiveram a licença, seguida das seguintes palavras: “Sinto-me feliz e honrado com a vossa presença em Belo Horizonte.” Monsenhor aproveitou para fazer um esboço da caminhada pastoral da diocese naquela cidade, situando-as na caminhada do povo. A partir desse momento, começaram a perceber o desafio da peregrinação pela cidade, aprender a se locomover, enfrentar congestionamento de trânsito, algo nunca antes presenciado, tudo isso para regulamentar os papéis referentes à nova moradia. Nesse mesmo dia, o Pe. Paulo, superior da Casa de Saúde, convidou-as para o almoço e para apresentar a Ir. Miriam aos internos e o seu novo trabalho. Permaneceram algumas horas conversando com os idosos e doentes, 18 ao todo, conversaram também com os funcionários ali presentes. A seguir, Ir. José Carlos Garro orientou a Ir. Miriam sobre a pequena farmácia e sobre a medicação referente aos idosos e doentes. Chamou a atenção que esse irmão estava com 86 anos e exercia o trabalho com muita dedicação e doação incansável.

À tarde tinham compromisso com Luzite, corretora de imóveis. Saíram para visitar imóveis que poderiam servir de residência. Andaram, olharam casas e mais casas, mas vários eram os requisitos a serem observados: nosso estilo, favorecimento de nossas necessidades, valores, os cômodos, ou seja, aquela que se enquadrasse nos nossos parâmetros de Irmãs Ministras dos Enfermos. Viram muitas, mas nenhuma que respondesse às necessidades; restava confiar na Providência divina. Como o outro objetivo da comunidade era o estudo, a Irmã Lúcia e a Irmã Marli foram se inscrever no curso de Filosofia na Faculdade de Filosofia e Teologia Jesuíta (ISI).

A caminhada novamente recomeça no dia seguinte em busca de uma casa, tendo bem presente que a confiança na divina Providência, na Virgem Maria e na Mãe Fundadora, Maria Domingas, iria conduzi-las. Enfim, encontraram a casa que lhes agradou.

No dia 27/02/98, o grande dia! Afinal, em nossa casa! Que alegria! Deus seja louvado! Festa! Obrigado, Senhor! Como é bom estarmos juntas em uma casa. O Pe. Paulo vibrava com elas, se admirava de como Deus foi abrindo caminhos para que tudo fosse rápido e fácil, mas não sem sacrifício. Ao saberem que eram Irmãs, os vizinhos também se alegraram e ficaram felizes. Quando se situaram, perceberam que a comunidade Nossa Senhora da Paz, onde iriam participar da Celebração Eucarística, fica bem próxima, assim como a parada do ônibus que vai ao centro, bem como o mercado e até o banco. Uns vinte minutos de caminhada para o trabalho da Ir. Miriam e a Faculdade onde iriam estudar. A residência situa-se no bairro,Planalto.

Hora de ir à aula, início do ano acadêmico, Ir. Lúcia e Ir. Marli estão ansiosas por não terem nenhuma preparação antecedente para iniciar o curso de Filosofia de nível superior, mas começam certas de que o Espírito Santo lhes dará as luzes necessárias para tal empreendimento.

Irmã Miriam segue confiante, adaptando-se no trabalho, fazendo tudo para organizar a vivência do ???em tudo Amar e Servir o Senhor.??? , lema jesuíta.

No domingo foram acolhidas pela comunidade da Igreja, que as recebeu com alegria, dando-lhes boas-vindas. As Irmãs também falaram e contaram um pouco da espiritualidade, carisma e por que estavam no meio deles. A partir de então, começaram a surgir convites para encontros, animação da liturgia, visitas aos doentes em suas casas (estas muito solicitadas). Foram convidadas a participar do círculo bíblico de uma comunidade no bairro vizinho, Itapoã, grupo cheio de vida, com vigor de levar adiante a missão de anunciar o Senhor.

A comemoração de um mês de estadia em terras mineiras foi marcada de alegria por conseguirem adquirir o sacrário, a casa “Esposo Amado”. Receberam correspondências de várias comunidades, em especial da Ir. Juliana Fracasso, carta animadora, linda, que transmitiu vida e entusiasmo para a missão. Ir. Juliana recordou que ontem eram jovens em formação, hoje estão assumindo e sendo pioneiras de uma missão.

Aos poucos foram se familiarizando com tudo. Começaram a receber visitas da vizinhança, dos padres, irmãos e estudantes jesuítas, familiares e Irmãs de outras comunidades religiosas, que faziam parte e ainda hoje continuam fazendo parte de nossa história como família religiosa; senhoras da comunidade Nossa Senhora da Paz, do grupo da Legião de Maria que, por certo período, realizaram sua reunião semanal em nossa casa: diziam elas ser ali um ambiente favorável para o seu encontro também com o Santíssimo.

A época do Advento se aproximava, e as Imãs pensaram envolver as famílias vizinhas na novena de Natal, tendo como fio condutor o evangelho de Lucas 15,11s, a passagem do “Filho Pródigo” (Ano do Pai) . Foi muito significativo, houve momentos fortes de oração, de reconciliação e era visível a graça de Deus agindo dentro das famílias: a descoberta da ternura do Pai, o Pai misericordioso.

A partir da novena do Natal, nasceu o desejo do grupo em querer continuar a se encontrar uma vez por semana. As Irmãs fizeram a proposta de formar então o grupo Família Maria Domingas, favorecendo aos participantes aprofundamento bíblico, estudo da autobiografia de Madre Maria Domingas, bem como a nossa espiritualidade. Deu-se então o início do grupo com quinze senhoras, cujos encontros eram realizados na própria comunidade das Irmãs, sempre nas quartas-feiras.

Um momento importante para a comunidade foi a conclusão do curso de Teologia da Ir. Lucia Walker, momento de vibração e gratidão a Deus pela vitória, porque, quando uma Irmã cresce toda a Congregação cresce e se enriquece. A acolhida da Ir. Teresa Salvagni como membro da comunidade durou pouco, pois foi convidada para trabalhar na comissão do Capítulo Geral de 2002. Eleita para ser Secretária Geral, não retornou mais para a comunidade. Acolheram em seguida a Ir. Marisa Inez Mosena que integrou a comunidade para aprofundar os seus estudos de pós-graduação, mas Deus tem seus caminhos: teve que interrompê-los, pois foi eleita Provincial em 2005. Integrou a comunidade a Ir. Jacinta Weber, da Congregação das Irmãs do Amor Divino. Não tendo ela um ponto de referência para residir e realizar os estudos de pós- graduação, entrou em contato com sua Provincial e esta com a da nossa Congregação, sendo então acolhida por um longo período, fazendo parte até dos nossos atos comunitários, como também Irmã Raquel da Congregação Missionária Santo Antônio Maria Claret que faz o mestrado na Faculdade dos jesuítas. Integraram também a comunidade por algum tempo a Ir. Terezinha Scalco e Ir. Rosana Lopes de Araújo.

O núcleo dos religiosos do qual fazem parte é chamado “Caminheiros da Esperança” cuja coordenadora foi por determinado tempo a Ir. Marisa. Os encontros são formação para a Vida Religiosa com assuntos relevantes e atuais.

O grupo Família Maria Domingas organiza-se e realiza almoço, bingos, rifas beneficentes para ajudar na aquisição de passagem para aquelas que irão participar da Assembleia no Rio Grande do Sul. Esses momentos de amizade incentivam a vivência, enriquecem e fortalecem a vida e o espírito de cada uma de nós.

Para que haja o fortalecimento da caminhada da comunidade, realizam-se encontros de partilha, momentos fortes de oração, tais como retiro mensal, cultivo pessoal, hora santa, momentos de oração comunitária, bem como a participação da Celebração eucarística como fonte da qual emana toda força e energia da nossa vida de consagradas a Deus e a força para o ministério do serviço dos irmãos que sofrem.

Como nem tudo dura sempre, fomos percebendo que a nossa casa precisava de uma reforma geral. Tudo analisado, ficou a dúvida: investir na reforma ou adquirir outra casa mais próxima do trabalho e da faculdade? Vendo e observando os prós e contras e após ter rezado e refletido muito, junto ao Conselho provincial e econômico, decidiu-se pela venda e com o valor investir na aquisição de outra, para melhor atender as nossas necessidades, tanto que, no dia 27/11/2007, passamos a residir em um novo endereço, bem próximo à Casa de Saúde (trabalho) e Faculdade, paróquia Cristo Operário.

Atualmente compõem essa comunidade a Ir. Joana Rampazzo, Ir. Nelcinda Becker, Ir. Lourdes L. Marinho e Maria Angélica Toledo, leiga que está concluindo o curso de Teologia.

Damos continuidade à Família Maria Domingas, sendo que o grupo se subdividiu em dois. O grupo da Igreja da Paz, nossa antiga residência, e o grupo da residência atual continuam se encontrando nas quartas-feiras, para a recitação do terço, estudos bíblicos, retiros e partilha de vida; há o compromisso de uma vez por mês os grupos se encontrarem com a finalidade de abastecer-se na oração, aprofundar a espiritualidade da Fundadora Maria Domingas e fazer acontecer momentos de vida partilhada.

A missão é árdua, continuamos levando adiante o que as Irmãs iniciaram há anos, como missão junto aos padres e irmãos idosos da Casa de Saúde, onde a Irmã dedica totalmente e incansavelmente a sua vida em favor daqueles que requerem cuidados adequados; visitas a domicílio; presença junto aos doentes nos hospitais dos amigos e familiares dos membros da Família Maria Domingas; terço e reflexão da Palavra de Deus junto a uma comunidade próxima, no bairro Bacuraus; cenáculo de Nossa Senhora; pastoral da escuta e familiar; cursos de pintura e bordado; crochês, sendo este realizado em nossa residência; participação no grupo de reflexão sobre saúde em nível de CRB; pastoral de saúde na Igreja da Paz junto com os membros da Família Maria Domingas; serviço de animação vocacional.

Em tudo e por tudo queremos louvar e agradecer ao Senhor da vida pelos benefícios que nos tem proporcionado ao longo destes tempos aqui vividos por cada Irmã e que deixaram marcas, gestos de doação, contribuição no crescimento e expansão desta missão na Província. A cada uma em particular, o nosso muito obrigada. Deus seja louvado! Amém!

TESTEMUNHO E AGRADECIMENTO À MADRE MARIA DOMINGAS B. BARBANTINI

Meu nome é Edwirgem Maria de Mouras, atualmente com 70 anos de idade. Apesar de vários problemas de saúde, Deus tem sido generoso comigo.

Há seis anos, através das Irmãs Camilianas, comecei a interceder pela Madre Maria Domingas, que passou a ser meu “canal” com Deus.

Quantas bênçãos, quantas graças conseguidas num espaço de tempo quase imediato. Há alguns anos, fui submetida a uma cirurgia para retirada de dois quistos no ovário esquerdo. Fiquei 15 dias internada e obtive alta do hospital. Minha barriga sangrava muito. O médico que me operou, estava ausente, e fui atendida pelo seu assistente. Ouvi, quando ele ligou para o médico, dizendo que havia dado “aderência” no intestino. Eu tinha que voltar diariamente ao hospital para fazer curativo.

Algum tempo depois, um médico me encaminhou para ser operada. Então eu já invocava a Madre Maria Domingas.

Por cinco vezes, os médicos me disseram que não havia necessidade de ser operada.

Todas as vezes que estava marcada a cirurgia, eu rezava e pedia à Madre Maria Domingas, que me antecipasse, e guiasse as mãos do cirurgião.

E hoje reconheço que foi por intercessão dela que eu continuo viva, pois tratava-se de uma cirurgia de grande risco.

Vivo à base de medicamentos (14 por dia), mas, tirando o fato de não poder andar sozinha, consigo fazer tarefas caseiras mais leves.

A secreção no umbigo continua, mas estou viva, graças a Deus, graças à Madre Maria Domingas e graças às minhas amigas, as Irmãs Ministras dos Enfermos.

Que Deus abençoes a todas. Que continuem ajudando os enfermos e divulgando e dando prosseguimento ao trabalho da nossa Madre.

A seara é grande, e os frutos são gratificantes. Não esmoreçam.

Eu dou este testemunho, emocionada, mas acima de tudo agradecida às Irmãs Ministras dos Enfermos de São Camilo, à Madre Maria Domingas, acima de tudo, porém, a Deus.

Belo Horizonte, 06 de abril de 2009

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