São José – RJ

RELATO DA HISTÓRIA DOS 20 ANOS DA COMUNIDADE SÃO JOSÉ DO RIO DE JANEIRO

ORIGEM DA COMUNIDADE:

Para narrar a história dos últimos 20 anos da comunidade São José no Rio de Janeiro, é necessário fazer uma retrospectiva histórica de alguns anos para compreender o sentido da atual presença das Irmãs nesta cidade e comunidade. Esta comunidade não teve início independente, ela foi a continuação das atividades das Irmãs que chegaram ao Rio, primeiro em Curicica, no Morro da Formiga, e por fim nesta casa na rua Raiz da Serra, 23-Usina. É no tempo de serviço no morro que se adquire esta casa com objetivos bem específicos:

* Primeiro, para favorecer as viagens das Irmãs que transitam Nordeste-Sul e vice-versa.

* O segundo aspecto considerado por que é bom permanecer no Rio de Janeiro é por ser uma cidade centralizada, favorecendo estudos profissionalizantes e espirituais.

* E um terceiro, por ser um local que favorece uma parada de quem participa de encontros em cidades vizinhas e também no Rio, como Cetesp, Profolid, etc..

RETROSPECTIVA HISTÓRICA

A chegada das Irmãs Ministras dos Enfermos ao Rio de Janeiro remonta ao ano de 1953, em Curicica, zona oeste do Rio de Janeiro, onde se dedicaram por 34 anos ao serviço carismático no Hospital Raphael de Paula Souza. O processo de saída e transferência das Irmãs de Curicica para outra atividade missionária no bairro Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, aparece na crônica da comunidade, pela primeira vez, no dia 30 de setembro de 1985, dizendo que a “Ir. Tomasina , a Ir. Rosa e a Ir. Auxiliadora foram até a Tijuca para falar com o Pe. João e conhecer o Ambulatório para ver se conseguiam uma oportunidade para o nosso campo de trabalho, mas infelizmente ainda não foi desta vez”.

Em janeiro de 1986, a Superiora provincial da Congregação e o diretor do Hospital estão em tratativas para realizar a saída legal das Irmãs, rescisão de contrato, prazo de saída, etc. O diretor comunica que a partir de 2 de fevereiro, quando vence o contrato, as Irmãs poderão retirar-se. Enquanto isso, a Superiora provincial vai em busca de nova missão e nova moradia para que as Irmãs possam continuar no Rio de Janeiro, pois isso é necessário para a Congregação pelos motivos citados acima.

No dia seguinte, 4 de fevereiro de 1986, a Ir. Maria Cardoso está só em Curicica; a casa foi praticamente fechada nesse dia, as Irmãs foram se despedir do diretor que muito gentilmente agradeceu, elogiou o trabalho e encorajou-as. Depois, viajaram para fazer retiro, férias etc. À Ir. Maria caberia a dolorosa responsabilidade de entregar os objetos e as chaves da casa a quem era devido. A mesma afirma: “Ao chegar em casa, me vi sozinha e, como é natural, fiquei um tanto nervosa e confusa ao refletir em todos aqueles 34 anos vividos em Curicica trabalhando em favor dos doentes com amor e espírito de serviço”.

No dia 5 de fevereiro de 1986, exatamente às 20h, a Ir. Maria Cardoso se retirou da casa e fechou definitivamente a comunidade.

NOVO CAMPO DE MISSÃO – MORRO DA FORMIGA – TIJUCA

No período de discernimento sobre a saída das Irmãs do Hospital de Curicica, a Superiora Provincial foi falar com o Bispo, pedindo ajuda para encontrar outro campo de trabalho dentro do nosso carisma, porque, mesmo saindo de Curicica, se percebia a necessidade de ter uma comunidade no Rio de Janeiro.

Em meados de novembro, o Bispo comunicou que o Banco da Providência pedia Irmãs para trabalhar no centro de acolhimento feminino e casa da criança na Tijuca. No dia 11 de outubro, aparece na crônica a questão da mudança das Irmãs para outra área de atuação missionária: “Hoje fomos a Tijuca eu, Ir. Maria Cardoso com a Ir. Auxiliadora para vermos de perto uma obra social em que talvez desse para trabalharmos como Ministras dos Enfermos. Esta obra é mantida pelo Banco da Providência da Arquidiocese: é um clube de mães solteiras com uma creche de crianças de 3 a 6 anos, e esse trabalho é muito exigente, mas também gratificante por tirar ou evitar que as moças caiam na prostituição”.

Aos 23 de outubro de 1985, diz que a Provincial, Ir. Juliana, “veio até o Rio para ver a obra que se apresenta para nós como um novo campo de ação”. Em seguida, aos 11 de novembro, a Ir. Rosa Lazzari “veio, a pedido da Provincial, ver de perto e avaliar a obra que estamos para receber como novo campo de ação”.

A Ir. Tomasina também vai visitar o novo campo de missão, o Posto de Acolhimento e a Creche que pertence ao Banco da Providência, na rua Medeiros Pássaros, no Morro da Formiga, Tijuca, e se diz que ela “Mostrou-se favorável para assumirmos este novo campo de trabalho”.

Tendo já aceito o convite para assumirem o trabalho no Posto de Acolhimento e na Creche, a comunidade recebe, no dia 18 de janeiro, a comunicação da Provincial de que entrara em contato com D. Íris Linhares, coordenadora das obras sociais, para ver a possibilidade de as Irmãs colocarem os seus pertences em um lugar do Posto. A solicitação foi concedida, e assim deu-se início, com Ir. Auxiliadora, Ir. Maria Cardoso e Ir. Virginia, ao fadigoso trabalho de mudança. Com a ajuda de benfeitores, transportaram tudo para o Posto. Na chegada com a bagagem, a Ir. Auxiliadora e Ir. Virginia “foram recebidas com alegria por todo o pessoal da casa que nos ajudaram a descarregar os nossos pertences”.

No período de espera para iniciar a nova missão, a Ir. Maria Cardoso foi acolhida e hospedada na comunidade das Irmãs Paulinas, permanecendo em contato com a coordenação do Posto de Acolhimento para as reformas do ambiente, adequando-o para a moradia das Irmãs. A Provincial, Ir. Juliana Fracasso, e Ir. Auxiliadora chegaram ao Rio e também se hospedaram na casa das Irmãs Paulinas; juntas deram início à arrumação da casa onde iriam residir.

NOVA COMUNIDADE

No dia 20 de fevereiro de 1986, despediram-se das Irmãs Paulinas, com o coração agradecido pela caridade demonstrada para com elas, e foram morar na casa do Morro da Formiga.

“Unidas em caridade demos início a uma vida simples e ativa, tudo era tão modesto, mas tão rico de caridade e esperança” (Madre Domingas Barbantini)

“Eram pobres, mas virtuosas, cheias de boa vontade, amantes dos pobres, não tinham muita cultura intelectual, mas eram ricas em caridade e dispostas a tudo pelos doentes e pela salvação das almas” (Madre Domingas Barbantini)

Após conhecer o ambiente e definir exatamente qual o seu papel nas atividades com D. Íris, três Irmãs, no dia 20 de fevereiro de 1986, fiéis ao espírito da Mãe Fundadora, formam uma nova comunidade no Rio de Janeiro, na Tijuca:rj1 a Ir. Miriam Teresinha Beuren, que assume a missão junto às mães solteiras no Posto de Acolhimento; a Ir. Maria Cardoso e Ir. Damiana Fabbri assumem a missão com as crianças na Creche. Moram em um alojamento pobre, com poucas condições, onde tentaram se adaptar da melhor maneira possível. Compraram o indispensável para iniciar a missão: mantimentos, móveis, e prosseguiram com alegria, testemunhando o amor misericordioso de Deus àquelas mães sofridas, às crianças e aos funcionários.

Em pouco tempo, se percebe que a residência é bastante precária, especialmente pelo pouco espaço para acolher as Irmãs em trânsito que aí se hospedavam. No dia 24 fevereiro de 1986, a Provincial, Ir. Juliana, juntamente com as Irmãs da comunidade, iniciam uma novena a S. José e outra à Fundadora para encontrarem uma residência adequada (casa ou apartamento) pois, ante as exigências do trabalho, era necessário o mínimo de condições para que pudessem continuar com saúde e servir ao Senhor com alegria.

A exemplo da Mãe Fundadora na sua época, com o grande desejo de conseguir uma casa que as ajudasse na missão, continuam as orações com confiança em Deus. Um dia, ao visitarem uma senhora na Usina Tijuca, ouvem falar de uma casa que está à venda, num local muito bom, tranqüilo; mas como comprar? O preço é muito alto para nossas condições. Só a confiança na divina Providência poderá nos ajudar a manter a esperança.

Continuam suas atividades no Morro da Formiga, entre grandes perigos, por causa dos tiroteios entre polícia e pessoal do Morro e entre um morro e outro, disputando os postos de venda de drogas; é um risco contínuo, não só para as Irmãs como também para as crianças da creche, mães e todos os moradores locais. É um ambiente realmente perigoso.

As Irmãs, além do trabalho material com as crianças e mães, sempre se preocuparam com o crescimento espiritual das mesmas, aproveitando as celebrações do ano litúrgico para evangelizar, preparando novenas, encenações para passar a mensagem evangélica de uma forma criativa e atual. Ensinam as crianças a rezar, a criar o hábito de iniciar o dia pedindo a bênção ao Senhor e a rezar antes das refeições.

Continuam morando na casa do Posto de Acolhida, mas sempre em busca de uma casa apropriada para as Irmãs da comunidade e também para acolher as demais que passassem pelo Rio de Janeiro. Em visita à comunidade, no dia 29 de dezembro de 1987, a Provincial, Ir. Juliana, quer resolver de uma vez a questão da casa. Vai, então, com Ir. Damiana e Ir. Auxiliadora, conhecer uma casa que está à venda na Usina, perto do Ambulatório S. Camilo e do Santuário, de fácil acesso à Rodoviária. A casa é ótima, parece construída para as Irmãs. Iniciam as negociações com a Sra. Rute, proprietária da casa e, quase milagrosamente, com a ajuda da divina Providência, no dia 30, Ir. Juliana fecha o contrato de compra da casa. A proprietária prometeu que no dia 1º de abril entregaria as chaves da casa. Foi uma alegria para todas as Irmãs, motivo de ação de graças e louvor a Deus.

Após a compra da casa, os meses em que as Irmãs permaneceram morando no Morro, foram um tempo de muita chuva, temporal, destruição, desabamento de vários barracos… Foi terrível. Em fevereiro de 1988, foram obrigadas a sair da casa; as mães e as crianças foram levadas para outras instituições, e as Irmãs pediram refúgio na casa da Congregação, recém adquirida, sendo que a proprietária, que ainda não a desocupara, as acolheu benevolamente. Na crônica vem narrado este período assim: “As Irmãs diariamente iam às obras fazer uma coisa ou outra, como também fazer plantão com as mães, prestando ajuda onde fosse necessário e ansiosas para recomeçar o trabalho na obra de origem.” No dia 27 de março, voltam à casa do Morro e retomam as atividades normais com as crianças e as mães.

Foi grande a alegria quando, em 31 de março de 1988, um dia antes do prometido, a família entrega as chaves da casa. Feitos os primeiros ajustes, as Irmãs, no dia 02 de abril, dão início à mudança de residência. Na crônica não está bem claro quando as Irmãs deixam a missão no Posto de Acolhida e na Creche. Em abril de 1992, é a Ir. Rosa Marques que é responsável por esta missão. Com a sua transferência, não se fala que outra Irmã a tenha assumido; e, em dezembro do mesmo ano, se lê que a “Assistente social D. Silvia, da creche do Morro da Formiga, nos pediu ajuda (faltando a Irmã naquele ano) para a preparação das festas de final de ano, sobretudo a preparação da missa com a participação dos pais das crianças e funcionários.”

Este pedido se repete em maio de 1993, convidando as Irmãs a prepararem a Missa para a Celebração das Mães.

Em junho de 1994, fala-se da festa junina celebrada na creche por Ir. Damiana que era responsável do morro da Providência, e nada mais se lê sobre a atividade das Irmãs nessa obra.

NOVA RESIDÊNCIA – COMUNIDADE SÃO JOSÉ

Depois de muito sacrifício e após dois anos de moradia no Morro da Formiga, no Posto de Acolhimento, enfim o dia tão esperado chegou: 15 de abril de 1988, quando a comunidade é transferida para a nova casa na rua Raiz da Serra, 23, na Usina. Na crônica este dia vem descrito assim: “chegou o grande dia tão esperado por nós, finalmente fomos morar em nossa casa, agradecemos as graças de Deus e a colaboração de cada uma das irmãs que de uma forma ou de outra nos acompanharam, em especial à provincial Ir. Juliana que com tanta dedicação e amor se dedica a esta obra”.

Nesta data, a comunidade está constituída por Ir. Nelcinda Becker , que trabalha no Posto de Acolhimento, Ir. Miriam, que assumiu o trabalho no Ambulatório S. Camilo, e Ir. Damiana Fabri, superiora da comunidade, que trabalha na Creche.

Como as atividades das Irmãs eram intensas, no mês de maio a Ir. Teresa Salvagni veio ao Rio ajudar na arrumação, organização, adequações e tudo mais que era necessário para o bem-estar da comunidade e o desenvolvimento da missão.

No dia 2 de junho, elas se sentem agraciadas com a celebração da primeira Missa na comunidade pelo Pe. José Maria Ronchi, camiliano, agradecendo a Deus por todos os benefícios e também pela renovação dos votos da Ir. Nelcinda, estando presentes também a Ir. Teresa e a Ir. Virginia. O Pe. José Maria, nessa época, prometeu celebrar a Eucaristia uma vez por semana na casa das Irmãs.

MISSÃO NO AMBULATÓRIO SÃO CAMILO

Sem maiores explicações, encontra-se descrito na crônica o início do trabalho de uma Irmã no Ambulatório S. Camilo, no dia 13 de abril de 1988: “Hoje uma das irmãs desta comunidade iniciou o trabalho no Ambulatório dos Padres Camilianos”. Da continuidade da crônica percebe-se que esta Irmã foi a Ir. Miriam Beuren que, pela manhã, trabalhava no Ambulatório e, à noite, no Posto de Acolhida.rj2

Por informação oral da mesma, o convite foi feito pelo Pe. José Maria Ronchi, camiliano, pois o Ir. Serafim que era o responsável pelo Ambulatório, devido à idade e à pouca saúde, já não conseguia mais levar adiante tal obra.

Em 17 de fevereiro de 1990, a cronista descreve o seguinte: “Hoje o irmão que sempre trabalhava no ambulatório e era já muito velhinho de 82 anos, estando muito cansado e doente, foi transferido para a casa de repouso dos padres camilianos em S. Paulo e, portanto, o Pe. José Maria pediu para a Ir. Miriam assumir a responsabilidade do Ambulatório, sendo que trabalha lá há um ano e meio”.

O Ambulatório naquela época tinha um grande número de voluntários nas várias áreas médicas e odontológicas, atendendo um elevado número de pessoas carentes com total gratuidade; a Irmã coordenava todos os serviços. Hoje a obra continua e, mesmo que tenha havido muitas mudanças, sobretudo por exigências legais da Vigilância Sanitária, ela se mantém fiel ao objetivo pelo qual foi iniciada: os pobres, “os enfermos são as pupilas dos olhos de Deus”, e toda a ação do Ambulatório visa a isto: servir o Senhor na pessoa dos mais pobres e necessitados, como S. Camilo e Maria Domingas. A presença da Irmã é muito significativa, ela continua coordenando as atividades e colaborando em tudo que é necessário.

NOVA MISSÃO

Em janeiro de 1992, Ir. Maristela chega ao Rio de Janeiro para assumir uma nova frente de missão, o trabalho no Ambulatório do Banco da Providência no bairro S. Cristóvão, que atende a classe pobre, especialmente as pessoas de rua, aidéticos, prostitutas etc. A Irmã exerce a função de coordenação dos serviços no Ambulatório, do pessoal e, na ausência da diretora, também responde por ela.

Não se narra na crônica quando as Irmãs deixaram esta atividade. Aparece no dia 12 de fevereiro de 1994 a transferência de Ir. Maristela para servir ao Senhor na Itália a convite da Superiora Geral, Ir. Tomasina Gheduzzi.

SERVIÇO NO HOSPITAL S. VICENTE

Como acenado anteriormente, um dos objetivos desta casa era também o estudo profissionalizante das Irmãs. Como cursavam enfermagem na Faculdade S. Luiza de Marilac, bem próxima do Hospital S. Vivente, foram convidadas pelas Irmãs Vicentinas para fazer plantões, dentro das suas possibilidades, pois ainda estavam estudando. Quando adquiriram certa experiência, assinaram a carteira e se tornaram profissionais funcionárias do Hospital. Como as vicentinas ficaram satisfeitas com o serviço das Ministras dos Enfermos, mesmo quando a Província não enviou mais Irmãs para estudar, solicitaram que elas continuassem prestando serviço no Hospital, testemunhando a caridade misericordiosa com os doentes como verdadeiras filhas de Maria Domingas. A Superiora Provincial acolheu o pedido das mesmas, e até o momento tem a presença das Ministras dos Enfermos no Hospital S. Vicente de Paula.

TESTEMUNHAS DO EVANGELHO

Nos anos em que as Irmãs trabalharam no Morro da Formiga, no Posto de Acolhimento e na Creche, percebe-se na leitura da crônica o grande esforço de cada uma para tornar a vida das mães e crianças mais saudável, mais alegre e humana. Narram-se várias vezes as festas preparadas com as crianças e para as mães: coroação de Nossa Senhora, festa de Natal com encenações, Páscoa, celebrações eucarísticas, cursos de pintura, palestras sobre higiene, cuidados pessoais, etc. É uma atividade muito comprometida com o bem das pessoas que estão aos seus cuidados, como verdadeiras mães que fazem de tudo, mesmo com sacrifício, para o bem-estar dos filhos.

Não medem esforços para colaborar na evangelização; apesar de tanto trabalho, estão também muito comprometidas com a Igreja, participando da sua caminhada junto ao povo de Deus. Contribuem nas pastorais paroquiais, participam de encontros da CRB, de tardes de louvor, confraternização entre as várias comunidades da área, festas juninas, festa de S. Camilo, da Fundadora, etc.

É bem característica a convivência fraterna, amical e serviçal com a comunidade dos padres camilianos. Festas de Páscoa, Natal, S. Camilo, aniversários, etc., aparecem quase sempre celebradas com as duas comunidades, algo muito importante na vida religiosa: a fraternidade, a entreajuda, o bem-querer. Isso, graças a Deus, perdura até hoje.

Como foi descrito antes, a casa da rua Raiz da Serra, atual comunidade S. José do Rio de Janeiro, foi inaugurada no ano de 1988, e o leitor poderá estar se perguntando: se a memória histórica é dos últimos 20 anos, por que então escrever sobre os anos anteriores?

A resposta é muito simples. Esta comunidade não teve início aqui, foi transferida de outra sede, a do Morro da Formiga, para atingir os objetivos descritos acima de acolher as Irmãs em viagem, estudos e participação de cursos; então, é preciso saber o que era antes para transportar para a nova comunidade, pois a origem desta foi somente a compra da nova casa.

Lendo a crônica dos últimos vinte anos, percebe-se a movimentação intensa na comunidade de Irmãs que vão e voltam do Sul ao Nordeste e do Nordeste ao Sul. Formandas, visitantes, parentes de Irmãs, amigos da comunidade chegam e saem com alegria desta casa, agraciados pela acolhida fraterna e caridosa das Irmãs, a disposição de ir buscar e levar as viajantes na Rodoviária ou Aeroporto.

Além de a comunidade responder a este objetivo da acolhida e repouso das viajantes, o segundo objetivo também foi concretizado: algumas Irmãs fizeram cursos profissionalizantes nesta casa e cursos de teologia, direito canônico, bem como cursos de formação teológica semanal oferecidos pelos freis capuchinhos.

O terceiro objetivo igualmente teve seu valor na hospedagem/acolhida de Irmãs que vieram ao Rio de Janeiro participar de cursos formativos de longa duração: Cetesp, Profolid, Cerne, tomando parte, nesses períodos, na vida e missão da comunidade.

Todas as Irmãs que tiveram a graça de fazer esses cursos puderam participar da vida e sentir a profundidade do testemunho carismático dos membros dessa comunidade.

ATUALIDADE

A comunidade São José continua hoje suas atividades no Ambulatório São Camilo, no Hospital São Vicente e como sede de estudos. As viagens de ônibus se tornaram raras e, se poucas Irmãs passam por aqui, a acolhida é manifestada na visita de Irmãs que se encontram em férias com seus familiares, dos familiares das Irmãs, de pessoas que nos pedem hospedagem, de amigos e benfeitores em viagem, inclusive os padres camilianos.

Além dos trabalhos institucionais, a comunidade se compromete com o povo de Deus, colaborando nas pastorais da paróquia, participando de eventos, acompanhando às vezes os padres nas celebrações no Borel e outras capelas. Na medida do possível, atendemos a domicílio e, sobretudo, contribuímos com o testemunho do ser religioso, sinal da presença de Deus no meio do povo.

O povo, a Igreja do Rio de Janeiro, é muito tradicional; por isso, o símbolo do hábito, o modo de vestir-se, os comportamentos externos em festas e no trabalho são muito valorizados; tudo é analisado, pois a Irmã é vista muito como um ser “perfeito”; qualquer coisa que saia do padrão mental deles, é motivo de grande escândalo. Mas, ao mesmo tempo, é um lugar bom de se trabalhar, o povo é acolhedor, respeita e espera muito das Irmãs.

Uma coisa interessante no Rio de Janeiro é que normalmente as Irmãs são vistas como “Irmãs de Caridade” e, por isso, não podem ser gratificadas nem com dinheiro nem com presentes. É muito comum irmos a domicílio ou mesmo ao Ambulatório e, acabado o procedimento, ouvir da pessoa: “Eu sei, Irmã, que a senhora não pode receber dinheiro, mas Deus lhe ajude…”, ou também “Ah, Irmã, eu gostaria tanto de lhe dar uma lembrancinha, mas eu sei que a senhora não pode receber, mas Deus vai lhe recompensar”. Muitas pessoas telefonam, pedindo para fazer plantões, mas já dizendo que somos Irmãs de caridade, isto é, “seres espirituais”. Até mesmo pessoas que são engajadas na Igreja têm esta idéia, inclusive no serviço do Ambulatório. Por isso, sustentar-se aqui no Rio com a assistência a domicílio é algo impensável.

As Irmãs que compõem a comunidade neste ano são: Ir. Sonia Paulina Freitas, superiora da comunidade, que trabalha no Hospital São Vicente; Ir. Iraci Marchiori, coordenadora do Ambulatório São Camilo; e Ir. Maria de Fátima Ramos, em vias de transferência.

Conclusão

O padroeiro desta comunidade é São José; sentimos a sua proteção cuidando da nossa casa, de nós. Um fato triste que aconteceu na comunidade, no passado, um roubo na casa, levou as Irmãs a nomearem São José o Porteiro da comunidade, colocando as chaves da residência aos seus pés, onde se encontram até hoje. Nisso vemos a explicação por que, em meio a tanta violência, assaltos, roubos, nós continuamos realizando nossa missão em paz.

Que São José continue intercedendo por nós e nos ajude a continuar a missão com dedicação, alegria e caridade, testemunhando sempre, com todos, o amor misericordioso de Deus.

(Tudo que foi escrito neste relato foi pesquisado nos livros de crônica da comunidade) Rio de Janeiro, 15 de junho de 2009

Ir. Maria de Fátima Ramos e Ir. Iraci Marchiori Comunidade S. José

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