Ubiratã – PR

A CONGREGAÇÃO SE LANÇA EM TERRAS PARANAENSES HISTÓRIA DA COMUNIDADE DE UBIRATÃ – PR

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A chegada em Ubiratã deu-se a partir da carta-pedido do Pe. Albino Schwade, por motivos bem específicos: poder fazer um trabalho vocacional na diocese de Campo Mourão, acompanhamento das jovens vocacionadas, atuação no lar dos idosos e exercer o ministério em um hospital.

Graças à dedicação e esmero constante dos irmãos Egidio Hoffmam e Aníbal Birck (jesuítas), foi possível estabelecer os contatos iniciais e assim como a busca de uma casa para a moradia das Irmãs.

Para os vicentinos que, eram os responsáveis pelo Lar, foi uma alegria imensa poder contar com a presença e ajuda de uma Irmã. As condições do Lar eram precárias, sobretudo quanto à higiene e atendimento dos internos. A Irmã, atenta e perspicaz, impregnada pelo carisma da misericórdia, se doou inteiramente, como a Fundadora, Maria Domingas, para proporcionar um ambiente mais digno aos hóspedes.

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A chegada das primeiras Irmãs Auxiliadora Ferreira Santos, Dilce Pasini e Marilene Faturi foi no dia 26 de março de 1984, acompanhadas pela então Pró-Provincial, Ir. Tomasina Gheduzzi, e Ir. Rosa Lazzari. As mesmas foram acolhidas pelos padres e irmãos jesuítas no seminário.

Sempre uma nova presença desperta interesse em conhecer e seguir o chamado de Jesus. Em 1985, chegaram as quatro primeiras jovens para iniciar sua caminhada vocacional junto com a comunidade. As Irmãs se esmeravam em visitar jovens e marcar presença nas várias comunidades.

Por diversos motivos, em 1989, as Irmãs saíram do hospital, e a Ir. Jacinta Rampazzo assumiu um trabalho no posto de saúde, sendo uma presença forte, marcante e referência em tudo, até nas transferências de pessoas gravemente doentes que necessitassem de acompanhamento para outros municípios e estados. De acordo com os relatos, foram tempos difíceis e desafiadores, mas o que as sustentava era uma intensa vida de comunhão com Deus, alimentadas pela Palavra e pela Eucarística, fortalecidas pela vida comunitária e fraterna, de doação a Deus e aos irmãos, oferecendo tudo para a sua maior glória. “Tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos a mim o fazeis” Mt 25.

ASSOCIAÇÃO ADEFIU – (Associação dos Deficientes Físicos de Ubiratã)

A Ir. Jacinta Rampazzo, com espírito de doação, percebeu que havia um grupo de pessoas que eram desprezadas e não tinham ninguém para socorrê-las; tratava-se dos portadores de deficiência física. Procurou ajudá-las trabalhando muito não só em Ubiratã, mas também em outros municípios. Encontramos relatos simples, que mostram que ela fez a diferença na época. Com poucos meios e resolvendo muitos problemas, a Irmã foi ajudando a conscientizar as inúmeras famílias que tinham membros portadores de alguma deficiência física, mas que não queriam que os mesmos aparecessem na sociedade, por isso escondiam-nos. Aos poucos foi marcando presença, ajudando-os a pensarem que eram pessoas de grandes dons, capazes de fazerem muito bem na família e na sociedade. Com essa conscientização, caíram certos tabus, e as pessoas começaram a pensar diferente, e verificou-se um despertar dos próprios deficientes. Assim, com muito esforço, criou-se a Associação ADEFIU cuja finalidade era fazer com que esses deficientes trabalhassem para se autossustentar, uma vez que, naquela época, não havia aposentadoria para os mesmos, e as famílias não tinham condições. Promoviam bingos, rifas e recebiam pequenas ajudas de pessoas, do Governo estadual e municipal; hoje possuem sede própria; muitos ainda agradecem às Irmãs que os ajudaram: Ir. Jacinta, Ir Nelcinda Becker e Ir Teresinha Scalco. Elas semearam solidariedade e seu exemplo serviu para que outras pessoas se engajassem. Hoje são poucos os que freqüentam a ADEFIU, mas vários se lembram das Irmãs e perguntam onde se encontram, sinal de que a presença, a escuta, o carinho, a ternura e a bondade das Irmãs os marcaram.

GRUPO BOM SAMARITANO

Na imensa seara de Deus, visitando as famílias, as Irmãs perceberam que muitas pessoas necessitavam de conforto e de ajuda, especialmente, nos momentos de doença. Convidaram então pessoas para formar um grupo, o grupo Bom Samaritano, composto por mulheres da comunidade com a finalidade de ajudar na visitação das famílias. Formado o grupo, pensaram na formação e orientação sobre como visitar os doentes e outros possíveis encaminhamentos. Nascia assim, na nossa Paróquia Santo Antônio, o grupo Bom Samaritano. Esta missão continua até hoje. Vão sempre duas a duas às casas e aos hospitais, levando conforto aos doentes, bem-estar e solidariedade igualmente a toda a família. Sabemos que as necessidades são muitas e muitas pessoas sofrem, faltam operários neste campo de atuação. Pedimos ao Senhor da messe que envie pessoas para serem instrumentos nas mãos de Deus no serviço aos irmãos necessitados. Missão esta que exige abnegação, disponibilidade e ação, como o bom samaritano que quer ajudar. E quando tivermos feito tudo, como fala o evangelho, reconhecer que somos “servos inúteis, fizemos apenas o nosso dever”.

GRUPO PÃO DA VIDA – uma idéia que deu certo

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Um dia a Ir. Terezinha Scalco, visitando uma vila muito pobre, vila São Joaquim, vendo tanta pobreza, miséria, desemprego, desnutrição e outros, questionou-se: o que poderia fazer para solucionar essa situação? Partilhou a ideia com o grupo dos vicentinos e outras pessoas da comunidade e, como o Espírito Santo é dinâmico e age onde quer, basta estar aberto aos seus apelos, levaram a sério a partilha da Irmã e propuseram uma reunião para tratar da questão. No segundo encontro, chegaram à conclusão de fazer pão e que o nome do grupo seria “GRUPO PÃO DA VIDA”. Falaram com o pároco, o qual apoiou o projeto e colocou à disposição o salão paroquial e o forno. Deram assim início ao belo projeto “Pão da VIDA”. No início tudo foi difícil, faltava farinha, as formas, os utensílios… mas a confiança em Deus, o apoio do povo, a união entre as mulheres ajudou a multiplicar a vida, dando condições e recursos para, em pouco tempo, montar uma padaria de grande porte.

Quem trabalhava na padaria eram as mães pobres orientadas por pessoas de boa vontade que queriam ajudar. O lucro era dividido em pão para as famílias pobres e alguns eram vendidos. Assim, muitas mães conseguiram nutrir seus filhos e outras foram ajudadas. Hoje são beneficiadas 15 famílias com pão. São vendidos aproximadamente 350 pães, biscoitos e cucas. Também fazem sabão. Atualmente tem uma diretoria própria com presidente, secretária, tesoureira e outras voluntárias que trabalham duas tardes por semana. Hoje, para continuar fazendo memória da fundadora deste projeto, foi colocado o nome de Ir. Teresinha na pequena escola da vila Recife. Gratidão, Ir. Teresinha! Isso nos incentiva a não parar diante das necessidades mas procurar organizar-se e construir o sonho juntos. “EU VIM PARA QUE TODOS TENHAM VIDA E VIDA EM ABUNDÂNCIA”. Como o pão se multiplica quando tem fermento, assim o bem se multiplica quando Deus é sua fonte.

LAR DOS VELHINHOS – ASILO SÃO VICENTE DE PAULO

A primeira Irmã que exerceu seu ministério no Lar dos Velhinhos foi a Ir. Auxiliadora Ferreira Santos. Esta, desde o início, doou-se de corpo e alma a essa obra; na época não havia funcionários, só alguns voluntários, e os idosos que estavam melhor se ajudavam; uns trabalhavam na cozinha, outros na lavanderia, outros cuidavam da horta, mas a Irmã devia estar à frente de tudo em todos os sentidos. Quantas privações, quantos desafios! O presidente sempre foi um confrade vicentino e nem sempre marcava presença no local. A diretoria se reunia poucas vezes. Realizavam-se festas para a manutenção da casa. A organização, por muitas razões, era difícil por causa de necessidades primárias. Confiava-se na ajuda da divina Providência e na boa vontade das pessoas. Os idosos sempre foram muitos de diversas regiões do Brasil, tornando a convivência entre eles nem sempre pacífica. Muitos abandonados, outros andarilhos, outros aventureiros saíram de seus estados movidos pelo dinheiro.

No ano de 1997, foram contratados os primeiros funcionários, e a vida interna no Lar começou a mudar. Houve melhorias:

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* Construção do salão para o bem-estar dos idosos, com televisão.

* Transformação de um quarto grande em sala de fisioterapia.

* Troca de todo o piso.

* Contratação de mais funcionários e melhoria na qualidade do atendimento aos idosos.

* Em 2000, o lar passou por uma grande reforma: graças à ajuda do Poder Público, foram construídos muros ao seu redor, melhorando o acesso da entrada e outros ambientes.

* Em 2003, havia muitas goteiras em toda a parte, e não tinha dinheiro. Alguns grupos de pessoas se movimentaram e conseguiram criar um fundo, “SEMENTES DO AMANHÔ. Com o que arrecadaram foi possível trocar todo o telhado, melhorar as tubulações quebradas.

* Em 2004, com a eleição do novo presidente, o Lar foi tomando novos rumos. Trabalhou-se muito. Pode-se dizer que hoje temos um ambiente acolhedor; obedece-se ao Estatuto do Idoso com todas as suas exigências.

* Foi criado um espaço de lazer, a área coberta, consertados os banheiros.

* Temos um ambiente com muita grama e uma área coberta para eventos, com churrasqueira e forno para pão.

* A cozinha mereceu melhorias, com mais ventilação.

* A garagem ficou do lado de fora.

* Foram construídas várias estufas. Temos atualmente cinco grandes e duas pequenas, e estamos em contínua modificação.

Agora, com a nova diretoria, foi eleito o conselho fiscal e programadas algumas melhorias, como a substituição do forro dos quartos e a pintura. Temos muito trabalho pela frente; os nossos idosos sofrem com diversas patologias, mas dentro do seu quadro estão bem.

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Agradecemos a Deus por tudo o que foi promovido de vida nestes 25 anos de trabalho incansável de todas as Irmãs que por aqui passaram, especialmente no Lar dos Velhinhos.

VIDA COMUNITÁRIA DESTA COMUNIDADE.

O que podemos perceber é que as Irmãs que por aqui passaram levaram a sério a vida comunitária e a vida espiritual, participando das programações da Província, fazendo cursos de atualização, estudando junto com as outras comunidades o projeto TUA PALAVRA É VIDA e sempre participaram dos encontros do núcleo da CRB. Cada uma cultivou sua vida espiritual, alimentando-se da Palavra de Deus e da Eucaristia; quando não tinha missa na comunidade, iam à paróquia. Um ponto forte foi a orientação espiritual que cada uma procurou. Merece também destaque a ajuda na paróquia quando solicitadas ou simplesmente por solidariedade. Percebe-se que houve muita partilha de vida entre elas, o que até hoje estamos vivenciando. Agradecemos a Deus por tudo o que realizou nesta comunidade, pela vida gerada em todos os sentidos para que outros tivessem mais vida.

As Irmãs também se destacaram na orientação e formação do grupo da pastoral da saúde, preparando-se com cursos e posteriormente aplicando os mesmos para as pessoas interessadas. Juntas plantavam as ervas, promoviam palestras, encontros, visitas, preparavam os xaropes caseiros, pomadas, sabonetes… As pessoas logo mostraram grande interesse no uso dos mesmos.

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Destacamos também a celebração de ação de graças dos 25 anos de presença nesta terra (maio de 2009). Jubileu que foi amplamente vivenciado por todas nós e pelas comunidades da paróquia, estando presente a Ir. Marisa Inez Mosena, Provincial, desde a celebração do tríduo de preparação até a festa, na qual também se fez presente D.Francisco Javier, bispo da diocese de Campo Mourão, que presidiu a Celebração Eucarística, festividade em que igualmente a Família Maria Domingas colaborou.

PASTORAL VOCACIONAL.

Quanto à animação vocacional, desde o início as Irmãs foram muito empenhadas, engajadas na paróquia e na diocese: participavam de semanas vocacionais, realizavam encontros, curso para jovens em etapas (opção de vida), visitavam as jovens que manifestavam interesse em conhecer a Congregação, participavam das reuniões mensais da animação vocacional na paróquia e de formação para os casais. Foi mantido por um longo período o centro vocacional para acompanhamento das aspirantes, sendo sempre acompanhadas por uma Irmã, seja nas pastorais como em todo serviço que uma casa de formação requer.

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Um acontecimento importante que marcou a paróquia e a Congregação foi a preparação e celebração dos votos perpétuos da Ir. Lourdes Luis Marinho, envolvendo a todos. Tivemos ainda a renovação dos votos de algumas Irmãs que por lá passaram. O fruto da dedicação e presença são as Irmãs Lurdes Luis Marinho e Maria Alice da Silva, filhas desta terra.

Destacamos o acompanhamento de um grupo de leigos (FMD) que se encantaram pela espiritualidade e pelo carisma de Maria Domingas e manifestaram o desejo de conhecê-la mais. Pessoas essas que colaboram nas nossas atividades e pastorais. Proporcionamos e continuamos ainda hoje a formação específica, em reuniões periódicas, retiros, encontros para melhor conhecimento e vivência.

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A comunidade hoje está formada por: Ir. Maria José R. Ross, superiora, Ir. Ida Todeschini, Ir. Gabriela Belli e Ir. Maria de Fátima Alves. A missão é bem diversificada. Enquanto umas estão diretamente exercendo o ministério junto à instituição, a domicílio, ou na pastoral, outras preocupam-se em preparar a comida e todo o serviço da casa, para que todas possam sentir-se bem.

Por tudo, obrigado, Senhor.

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